Somos Todos Afro

Introduction

O projeto “Somos Todos Afro” partiu de uma iniciativa da área de ciências humanas no Centro Educacional Mais Antônio Reinaldo Porto (CEMARP), localizado no município de Passagem Franca-MA, a partir da necessidade de reconhecer, valorizar e promover a riqueza das culturas africanas e afro-brasileiras presentes na formação do povo brasileiro. Inserido em um contexto escolar que busca fortalecer a identidade, o respeito e a consciência histórica, o projeto propõe ações integradas que dialogam com a diversidade, a representatividade e o enfrentamento ao racismo estrutural. Nesse sentido, a iniciativa alinha-se diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), ao assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem significativas e contínuas para todos os estudantes.

Além disso, o projeto contribui para a consolidação de uma cultura escolar pautada na convivência democrática, no respeito às diferenças e na valorização dos direitos humanos, aspectos que se relacionam ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 (ODS 16), o qual visa promover sociedades pacíficas e inclusivas, bem como o fortalecimento de instituições responsáveis e comprometidas com a justiça social. Ao estimular o diálogo, a consciência crítica e a participação coletiva, o projeto favorece a construção de um ambiente educativo mais justo, acolhedor e plural.

No entanto, sua realização só é possível graças ao comprometimento, à sensibilidade e ao trabalho colaborativo de todos os professores e professoras envolvidos. São esses profissionais que, em suas diferentes áreas do conhecimento, constroem pontes entre os conteúdos curriculares e experiências pedagógicas significativas; transformam temas complexos em aprendizados vivos; e acolhem cada estudante com um olhar humano, crítico e formativo.

Assim, o projeto “Somos Todos Afro” configura-se como mais do que uma ação pedagógica pontual: trata-se de um movimento coletivo que reconhece e valoriza o trabalho docente, evidenciando a importância da educação como instrumento de transformação social e de promoção da equidade, em consonância com os princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O projeto teve sua origem de forma incipiente, no ano de 2023, com participação de palestrantes convidados e roda de conversa com o grupo Tambor de Crioulos da cidade de Caxias/MA, que versou sobre a origem e cultura do grupo, suas atividades, além de demonstrar algumas de suas apresentações: o batuque e a roda de capoeira, em 20 de novembro do referido ano.

No ano seguinte, consolidou-se como uma proposta pedagógica voltada à valorização da cultura afro-brasileira no contexto escolar. Para sua implementação, é destinado o período aproximado de um mês, durante o qual são desenvolvidas atividades de sensibilização e orientação junto aos estudantes acerca dos objetivos e da relevância do projeto. Nos anos de 2024 e 2025, foram contempladas diversas temáticas, entre as quais destacam-se: dança, culinária afro-brasileira, sarau músico-literário, danças afro, desfiles característico-afro, beleza negra, história viva, artesanato, brincadeiras afro, personalidades afro na história e capoeira.

A participação dos discentes é obrigatória, pois este é o público a quem se destina a propagação de conhecimento desencadeado por esse projeto, integrando o processo avaliativo das disciplinas envolvidas, sendo atribuída pontuação equivalente à avaliação formal. Cada turma fica responsável por pesquisar, planejar e apresentar um tema relacionado à cultura afro-brasileira, o qual deve ser expresso por meio de manifestações artísticas e culturais, promovendo o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa.

Task

OBJETIVO

Geral

  • Promover o autoconhecimento e a autovalorização da identidade negra, fortalecendo a autoestima, o senso de pertencimento e a consciência histórica dos estudantes, por meio do reconhecimento das contribuições culturais, sociais e históricas da população negra na formação da sociedade brasileira.

Específicos

  • Estimular a reflexão crítica dos estudantes sobre sua identidade étnico-racial, favorecendo processos de autoconhecimento e construção positiva da autoimagem enquanto sujeitos negros.
  • Valorizar a história, a cultura e as manifestações afro-brasileiras como elementos fundamentais para o fortalecimento da identidade e do orgulho racial.
  • Contribuir para o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança dos estudantes negros, por meio de práticas pedagógicas que reconheçam suas origens e trajetórias.
  • Incentivar o reconhecimento das contribuições da população negra nos campos social, cultural, artístico, científico e político, promovendo a ressignificação de narrativas historicamente marginalizadas.
  • Favorecer o sentimento de pertencimento e de representatividade no ambiente escolar, combatendo estigmas, estereótipos e práticas discriminatórias.
  • Desenvolver atitudes de respeito à diversidade étnico-racial, estimulando o diálogo, a empatia e a convivência democrática entre os estudantes.
  • Possibilitar espaços de escuta, expressão e protagonismo estudantil, nos quais os sujeitos possam afirmar suas identidades e experiências de forma consciente e crítica.
Process

A metodologia adotada fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, participativa e interdisciplinar, centrada no protagonismo estudantil e na valorização da diversidade étnico-racial. O desenvolvimento das ações ocorre de forma integrada ao currículo escolar, envolvendo diferentes componentes curriculares e promovendo aprendizagens significativas a partir da realidade sociocultural dos estudantes.

 Para o projeto, mobilizou-se toda a comunidade escolar: os 26 docentes mediadores, as 3 gestoras para apoio pedagógico e financeiro, 245 discentes executores, além dos profissionais administrativos e serviços gerais atuando para melhor ambiência para as atividades. Além disso, em 2025, houve participação de uma empresa local ANAT.LUZ, disponibilizando seus produtos para o desfile beleza negra e premiando os ganhadores.

Inicialmente, é realizado um período de sensibilização, com duração aproximada de um mês, no qual são promovidas as rodas de conversa, exibição de vídeos, leituras orientadas, debates e atividades reflexivas sobre identidade, pertencimento, cultura afro-brasileira e enfrentamento ao racismo estrutural. Essa etapa tem como objetivo introduzir a temática, estimular o autoconhecimento e fomentar a consciência crítica dos estudantes.

Na sequência, as turmas são organizadas para a escolha e definição de temas relacionados à cultura afro-brasileira: dança, culinária, sarau músico-literário, artesanato, capoeira, personalidades afro na história, história viva e manifestações artísticas diversas. Cada turma assume a responsabilidade pelo planejamento, pesquisa e desenvolvimento de sua proposta, sob a mediação dos professores, que orientam quanto à fundamentação teórica, à organização das atividades e à expressão artística dos conteúdos estudados.

As atividades desenvolvidas privilegiam às metodologias ativas como a pesquisa orientada, trabalho em grupo, produção artística, ensaios, oficinas e apresentações culturais, favorecendo a construção coletiva do conhecimento e a valorização das múltiplas formas de expressão. Durante todo o processo, os professores atuam como mediadores, promovendo o diálogo interdisciplinar e articulando os conteúdos trabalhados aos objetivos do projeto e às competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A culminância do projeto ocorre no mês de novembro, em consonância com as atividades alusivas ao Dia da Consciência Negra, momento em que são realizadas as apresentações culturais e artísticas para a comunidade escolar. Essa etapa configura-se como um espaço de socialização dos conhecimentos construídos, fortalecimento da identidade negra e valorização das produções dos estudantes.

A avaliação do projeto é contínua e processual, considerando a participação, o envolvimento, a cooperação, a pesquisa realizada e a qualidade das produções desenvolvidas, integrando-se ao processo avaliativo das disciplinas envolvidas. Dessa forma, o projeto contribui para a promoção de uma educação inclusiva, equitativa e comprometida com a formação integral dos estudantes, alinhando-se aos princípios da educação antirracista e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para a execução do projeto “Somos Todos Afro”, foram mobilizados recursos ecológicos e instrumentos pedagógicos que priorizam práticas sustentáveis, o reaproveitamento de materiais e a conscientização ambiental, em consonância com os princípios da educação integral, da responsabilidade socioambiental, utilizando de materiais recicláveis e reutilizáveis (papel, papelão, garrafas PET, tecidos, embalagens, madeira reaproveitada) na confecção de figurinos, cenários, adereços e materiais expositivos; reaproveitamento de resíduos sólidos para produção de artesanato afro, instrumentos musicais alternativos e elementos decorativos; valorização de elementos naturais e simbólicos da cultura afro-brasileira, como sementes, fibras naturais, argila, tintas naturais e materiais orgânicos, respeitando o meio ambiente; materiais didáticos e pedagógicos: livros, textos, artigos, cartilhas, murais temáticos, painéis informativos; recursos audiovisuais: vídeos educativos, documentários, apresentações multimídia, músicas e registros sonoros relacionados à cultura afro-brasileira; instrumentos artísticos e culturais: tambores, atabaques, berimbaus; ferramentas para oficinas e produções artísticas, como tintas, pincéis, tecidos, linhas, sementes, argila e materiais de pintura corporal; espaços pedagógicos diversificados: salas de aula, pátio escolar, auditório e ambientes externos para ensaios, exposições e apresentações culturais; instrumentos de registro e avaliação: fotografias, vídeos, portfólios, relatórios, rodas de conversa e observação participativa.

Evaluation

Os resultados observados ao longo do desenvolvimento do projeto evidenciam impactos positivos no contexto escolar, especialmente no que se refere ao engajamento da comunidade educativa. Verificou-se um aumento significativo da participação dos estudantes e professores nas atividades propostas, refletindo maior envolvimento com as ações da escola e fortalecimento do sentimento de pertencimento.

As atividades favoreceram mudanças de atitudes, promovendo o protagonismo estudantil e estimulando comportamentos pautados na autonomia, na cooperação e no respeito às diferenças. Observou-se também o fortalecimento das identidades dos estudantes, especialmente no reconhecimento de suas histórias, culturas e potencialidades individuais e coletivas.

Outro resultado relevante foi a descoberta e valorização de talentos artísticos, com destaque para a dança, o canto e a pintura corporal, que se configuraram como importantes instrumentos de expressão cultural e emocional. Essas práticas contribuíram para o desenvolvimento da criatividade e da sensibilidade artística dos participantes.

Além disso, houve avanços significativos na oralidade e no poder de argumentação dos discentes, perceptíveis durante a socialização dos trabalhos, apresentações e momentos de diálogo coletivo. Os estudantes demonstraram maior segurança ao se expressar, argumentar e compartilhar suas produções, o que reforça a importância do projeto como estratégia pedagógica para o desenvolvimento integral.

Para além disso, o projeto evidenciou o significativo engajamento da comunidade escolar em todas as etapas de sua execução. A participação ativa de gestores, professores, estudantes e demais colaboradores contribuiu para o fortalecimento do trabalho coletivo e para a consolidação das ações propostas. Ao final do processo, foi possível perceber a satisfação dos envolvidos com os resultados alcançados, fruto do empenho e da dedicação ao longo do desenvolvimento do projeto.

Destaca-se, ainda, a participação dos convidados, que acompanharam e interagiram ativamente nas apresentações realizadas. Estes relataram, com entusiasmo, a experiência vivenciada, ressaltando o caráter formativo, cultural e acolhedor das atividades. Os depoimentos evidenciaram o impacto positivo do projeto, despertando interesse e expectativa para as próximas edições, o que reforça sua relevância e potencial de continuidade no contexto escolar.

Conclusion

Dada sua abrangência pedagógica, social e cultural, apresentou desafios significativos que exigiram planejamento, articulação coletiva e sensibilidade por parte da equipe escolar. Um dos principais desafios esteve relacionado à sensibilização inicial dos estudantes para a temática étnico-racial. Em um contexto marcado por estigmas históricos, preconceitos naturalizados e silenciamentos sobre a cultura negra, foi necessário promover espaços de diálogo e reflexão que possibilitassem a desconstrução de visões estereotipadas e o enfrentamento do racismo estrutural presente, muitas vezes, de forma velada no ambiente escolar.

Outro desafio relevante consistiu na articulação interdisciplinar entre os diferentes componentes curriculares. Integrar conteúdos, metodologias e objetivos pedagógicos exigiu um esforço coletivo de planejamento e alinhamento entre os docentes, considerando as especificidades de cada área do conhecimento e a carga horária disponível, de modo a garantir coerência pedagógica e efetiva integração ao currículo.

A logística e organização das atividades também se configuraram como um desafio, especialmente em razão do número expressivo de participantes envolvidos — gestores, professores, estudantes, equipe administrativa e colaboradores externos. A gestão do tempo, dos espaços escolares e dos materiais necessários demandou constante reorganização, diálogo e cooperação entre os diferentes setores da instituição.

Destaca-se, ainda, a limitação de recursos financeiros e materiais, comum em projetos desenvolvidos no contexto da escola pública. Tal condição exigiu criatividade, reaproveitamento de materiais e parcerias externas, reforçando a necessidade de práticas sustentáveis e colaborativas para viabilizar as ações propostas sem comprometer sua qualidade pedagógica. Contudo, vale destacar que no ano de 2025, as dificuldades financeiras foram amenizadas, uma vez que a gestão atual é acolhedora de práticas que fomentam o protagonismo estudantil.

Outro aspecto desafiador refere-se à formação continuada dos docentes para o trabalho com a educação étnico-racial. Embora haja engajamento e compromisso por parte da equipe, nem todos os profissionais tiveram, em sua formação inicial, subsídios teóricos e metodológicos suficientes para abordar a temática de forma aprofundada, o que demandou momentos de estudo, troca de experiências e construção coletiva de saberes.

Apesar dos desafios enfrentados, a superação coletiva dessas dificuldades fortaleceu o projeto, consolidando-o como uma prática pedagógica transformadora, capaz de promover aprendizagens significativas, valorização da identidade negra e construção de uma cultura escolar mais justa, inclusiva e democrática.

Logo, o movimento promoveu a valorização da identidade negra, o protagonismo estudantil e o respeito à diversidade no ambiente escolar. Por meio de ações interdisciplinares e culturais, contribuiu para a educação antirracista, o fortalecimento da autoestima e a construção de uma escola mais inclusiva e democrática.

 

Credits

WEBQUEST realizada pela professora FRANCISMAR P. MUNIZ, PARA ORIENTAR O ESTUDO DA TEMÁTICA PELOS ALUNOS DAS 3ª SÉRIES.munizfrancismar@gmail.com

https://drive.google.com/drive/folders/1mUmAjow_1KevbR8s1pU0BVKkIVOeDLJz?usp=drive_link

Teacher Page

Graduada no curso de Licenciatura Plena em Filosofia pela Faculdade Evangélica do Meio Norte (FAEME) 2009, Graduada no curso de Licenciatura pelo Instituto Federal do Piauí em 2019.Atualmente trabalha no Centro Educa Mais Antônio Reinaldo Porto desde 2022